As ruas

Vamos
observe as ruas;
a liberdade vítrea
os corpos nômades
a transitoriedade
das torres
as cores através
do lixo.
As ruas
observe
a fumaça fixa
a voz distante
a lua de purpurina
das flores
à cera
na nudez
das esquinas
O perfume almíscar
numa sublime
pulsação
de tantos relógios
e o constante
açúcar
pelo ar.
Vê?
O prelúdio da chuva
as marquises
os seres imóveis
tristes
mãos estendidas
meninos pelados
As ruas
extintos rios
risos
árvores de porcelana
queimada
entranhas contraídas
textos distribuídos
colados nas paredes
anúncios
bichos
revistas.
Venha
veja as ruas
veja
entenda
entre
na dança mística
de sombras
projetando-se sobre
o ritmo
do vapor a consumir
a névoa de estrelas
distantes – Veja
os mitos ritualísticos
à Baco, vinho, vinho
Jesus Cristo
sangue divino
Vamos
observe a rua
contemple
todos os templos erguidos
monumentos
resquícios em mármore
veículos
O Buddha, a Barbie
os males do tabaco
novamente
os corpos estendidos
no asfalto
os hieróglifos
E na flauta
a música
do Fauno vindo.

 

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